quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Escola, Museus de Arte e Literacia Artística - Tema de Provas de Mestrado

Realizaram-se na Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa - Braga, em 30 de janeiro de 2017, as Provas de Mestrado em Ensino de Artes Visuais da licenciada Susana Rafaela Ferreira Leite, tendo apresentado o Relatório de Estágio intitulado: "Complementaridades entre Escola e Museus de Arte para a construção de uma literacia artística”, do qual tive a grata experiência de ter sido orientador e de ter partilhado a Mesa do Júri com o Prof. Doutor José Manuel M. Lopes, da FFCS-UCP (Presidente) e com o Prof. Doutor Vítor Manuel F. Ribeiro Moura, da UM (Arguente).


A índole do trabalho realizado está patente no seguinte Resumo:

«Enfatizando a dinâmica das artes em contexto escolar, o presente Relatório, realizado no âmbito do Mestrado em Ensino de Artes Visuais no 3.o Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário, procura fundamentar a dinâmica do ensino das artes visuais em articulação com os contextos de educação não-formal e formal.
Tentamos neste trabalho mostrar a importância das instituições culturais (museus de arte) e a sua articulação com a escola no caminho a trilhar nas práticas educativas em artes visuais. A intervenção pedagógica levada a efeito com a turma em que realizamos o estágio profissional, na Escola Vale São Cosme – Didáxis, reforçou várias ações conjuntas entre a escola e duas instituições culturais, potenciando o diálogo com e sobre as obras de arte.
Os diálogos analíticos com as obras de arte encetados pelos alunos ao longo da intervenção pedagógica, em contexto de sala de aula e também no museu e galeria visitados, centrados na fruição estética e nas suas dimensões, foram sustentados por teorias e metodologias que privilegiam a dimensão estética no ensino das artes visuais, assente na dinâmica de diálogo e contacto com a obra de arte.
Estas dinâmicas, que evidenciam a complementaridade entre as aprendizagens formais e não-formais, mostraram ser possível desenvolver o conhecimento fundamentado da obra de arte, enquanto geradora de saberes, com vista à construção de uma literacia estética e artística.
A prática pedagógica procurou, através do contacto in loco com obras de arte e da exploração das mesmas em sala de aula, incentivar a dimensão estética da educação artística e o desenvolvimento da linguagem específica das artes, promovendo a correlação das competências: ver - observar; refletir - interpretar; experimentar - criar.»

Palavras-chave: educação não-formal; educação formal; obra de arte; fruição estética; literacia artística; literacia estética.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

“O pensamento Oriental. Perfil filosófico de Buda e do budismo” - conferência na ESCA - Braga

Foi muito gratificante a oportunidade de proferiu a conferência intitulada “O pensamento Oriental. Perfil filosófico de Buda e do budismo”, na Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA-Braga), no âmbito das comemorações do dia do Agrupamento e do projeto Fascínio do Oriente. A conferência teve lugar no Auditório da ESCA, no dia 26 de janeiro de 2017.

A realização desta conferência constituiu uma excelente oportunidade de partilha de conhecimentos e de discussão com os alunos desta Escola, sobre um tema de manifesto interesse: as raízes filosóficas do budismo.

Neste sentido, foi muito estimulante verificar a curiosidade de um Auditório quase totalmente preenchido pelos jovens estudantes, movidos pela curiosidade da diferença que vem do Oriente. Siddharta Gautama, Hinduísmo, Vedas, Upanishad, Karma, Reencarnação, Atmán, Brahmán, Iluminação, Nirvana, Espiritualidade, Conhecimento profundo («vipassana»), Meditação, Superação do sofrimento, Salvação, Óctuplo Caminho, foram alguns dos conceitos-guia numa reflexão sobre o mistério da existência.

As questões levantadas pelos alunos no final da conferência constituem a garantia de que sementes de pensamento filosófico terão ficado a germinar nas suas mentes.

Um agradecimento muito especial às/aos Colegas docentes presentes na sessão, particularmente à Drª Maria Beatriz Macedo que, como Coordenadora do departamento de ciências sociais e humanas, desencadeou esta iniciativa e à Drª Ana Margarida Dias que, na qualidade de Professora Bibliotecária, coordena o interessante projeto “Fascínio do Oriente” e na qual contextualizou a presente iniciativa.

> Fotos da Conferência: no Auditório da ESCA:




quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Velhice. Que fazer?

Para todos ela se faz cada vez mais próxima. Quase sem nos apercebermos, toma-nos a mão, e depois a outra, e brinda-nos com os desafios, as incógnitas, os medos, as esperanças que pressentimos como questões definitivas… Sim, trata-se da velhice, desse tempo “incómodo” que a nossa cultura ambiente prefere colocar no sótão dos valores neutros, aparentemente “dispensáveis”.
“A velhice, uma idade política”, é o título de um breve ensaio publicado por Franck Damour na revista Études. Revue de Culture Contemporaine (avril, 2016*) – uma das minhas revistas preferidas. Neste texto, o autor analisa a ideia de um processo de “Envelhecimento sem ser velho”. Fórmula certamente atraente, «mas que não enfrenta diretamente a contradição». No resumo, pergunta-se «como sair deste impasse? Como fazer da velhice um tempo de vida e não uma doença da vida? Como fazer da velhice um tempo político e não um naufrágio solitário?» (p. 39).
A ler e a meditar.
* Publicação disponível na Biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP – Braga.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Artes visuais e criatividade pedagógica*

O poder formativo da arte tem vindo a ser aprofundado desde que Platão concebeu a existência humana como consequência da educação, e a educação como um processo de maturação
física, intelectual e espiritual no qual a poesia, a música, a pintura, a escultura, e todas as outras artes desempenham um papel insubstituível.
A arte constitui-se esteticamente como um valor por si mesmo, capaz de transformar o nosso olhar, a nossa percepção da realidade e da vida. Mas, ao mesmo tempo, ela é indutora de novas formas, novos dispositivos, novas estratégias que nos permitem alcançar criativamente outros valores, outros âmbitos, novas finalidades. Docentes, psicólogos, pedagogos, educadores e, de um modo geral, todos os que desenvolvem actividades de comunicação e de intermediação cultural e social reconhecem que, com a arte, a mensagem “passa melhor”.
Dentre o universo da arte, as artes visuais adquiriram desde cedo um estatuto estético e cognitivo cimeiro, precisamente porque se descobriu que os sentidos e os dispositivos que elas activam permitem-nos chegar mais longe, alcançar uma realidade mais ampla, conhecer melhor e mais profundamente a realidade envolvente. Não é por acaso que ao longo da nossa tradição cultural sempre se valorizou a dimensão visual.
Entretanto, as artes mudaram muito, bem como o homem e a sua imagem, a cultura, os valores e os métodos de ensino. As artes visuais conquistaram novos suportes, adquiriram novas linguagens, transformaram-se internamente num processo de fusão donde têm surgido novas e extraordinárias formas de expressão.
Neste Curso aprofundar-se-ão estas mutações que continuamente nos lançam desafios e interrogações que é urgente reequacionar, quer a nível dos conceitos estéticos, culturais, filosóficos, como a nível das práticas artísticas, pedagógicas, educacionais e de natureza didáctica.
O Curso de Aprofundamento em Artes Visuais e Criatividade Pedagógica, através dos cinco seminários que o constituem, propõe-se fornecer um conspecto das principais metamorfoses que hoje afectam a presença da arte no sistema educativo, quer na posição em que a arte é objecto directo do ensino, quer na posição em que o ensino e a educação são intencionalmente visados pela arte. Pretende-se aprofundar as diversas pontas deste nó que ata o ensino artístico, a educação pela arte e a formação estética, sob o pano de fundo da seguinte inquietação: em que condições promoverão, hoje, as artes (visuais) a criatividade na escola e na vida?
“Vós (artistas) tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano.” (Bento XVI, “Encontro com os artistas”, Capela Sistina, 21 de Novembro de 2009).

Nota de Apresentação do Ciclo de Seminários dedicados ao tema "Artes visuais e criatividade pedagógica"anteriormente publicada no endereço: http://www.eacfacfil.net/?p=1602


Apresentação

Partilha de apontamentos, comentários, reflexões, notícias, publicações, acontecimentos… na área da Filosofia, com ênfase no domínio da Estética e Teoria das Artes.
Sentir e pensar... num apaixonado recomeço! 
Entre o conceito e o sentimento, em demanda das fontes do Sentido e do Belo!
Oxalá os materiais destas páginas encontrem utilidade em quem por aqui passar …/…   
///////Carlos Bizarro Morais//Docente de Filosofia//UCP-FFCS//Braga ///////////////////////