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terça-feira, 12 de junho de 2018

"Os desafios da representação gráfica: aspetos teóricos e práticos", de Artur Miguel Sousa Basto


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É com muita satisfação que divulgo o trabalho do Arquiteto Artur Miguel de Sousa de Basto, intitulado Os desafios da representação gráfica: aspetos teóricos e práticos, publicado pela Editora Novas Edições Académicas. 
Trata-se de uma publicação que corresponde integralmente ao trabalho de Mestrado apresentado à Universidade Católica Portuguesa que tive o prazer de orientar, no âmbito do 2º Ciclo em Ensino de Artes Visuais, da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais (Braga). 
Apresentamos os nossos parabéns, de novo, ao seu Autor e também à Editora, pois trata-se de um estudo de grande interesse científico e pedagógico, centrado na análise e exemplificação da representação gráfica nos seus processos de perceção, registo e construção mental. 
É reconhecidamente uma temática de grande importância no ensino e aprendizagem das artes visuais, tendo presente as manifestas dificuldades sentidas pelos jovens alunos, quando se deparam com as primeiras exigências da representação espacial das formas, volumes, sombras, profundidade. Este trabalho ajuda a desbloquear essas dificuldades.

Resumo
O Relatório da prática pedagógica evidencia que os alunos adolescentes manifestam dificuldades na representação gráfica de formas, volumes, sombras, profundidade…
A razão fundamental destas dificuldades reside na execução imprecisa do processo sequencial de perceção, registo/construção mental e representação gráfica.
Investigamos os momentos desse processo, recorrendo a instrumentos fundamentais produzidos por Rudolf Arnheim, Donald Hoffman e Phil Metzger.
O enquadramento teórico determinou uma intervenção pedagógica de operacionalização de estratégias de questionamento da qualidade da observação, bem como de promoção de reflexões sobre a mesma. Os alunos evidenciaram o seu entendimento de que o cumprimento desta primeira fase de forma audaz alavanca-nos para um registo mental mais qualificado da matéria observada.
Aplicamos técnicas de representação gráfica, de promoção de uma observação sagaz e de um entendimento majorado da representação das formas, dos volumes e das sombras. No decorrer dos exercícios propostos, os alunos foram alertados para a dificuldade dos erros/ilusões visuais que estremecem o discernimento visual e podem provocar distorções da realidade observada.
Em função dos resultados decorrentes dos exercícios propostos ao longo do ano letivo e dos inquéritos de avaliação registados, a investigação permitiu constatar uma evolução dos alunos na qualidade da observação e na destreza de gestos.

Palavras-chave
Perceção, Entendimento, Inteligência visual, Representação gráfica.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Artes visuais e criatividade pedagógica*

O poder formativo da arte tem vindo a ser aprofundado desde que Platão concebeu a existência humana como consequência da educação, e a educação como um processo de maturação
física, intelectual e espiritual no qual a poesia, a música, a pintura, a escultura, e todas as outras artes desempenham um papel insubstituível.
A arte constitui-se esteticamente como um valor por si mesmo, capaz de transformar o nosso olhar, a nossa percepção da realidade e da vida. Mas, ao mesmo tempo, ela é indutora de novas formas, novos dispositivos, novas estratégias que nos permitem alcançar criativamente outros valores, outros âmbitos, novas finalidades. Docentes, psicólogos, pedagogos, educadores e, de um modo geral, todos os que desenvolvem actividades de comunicação e de intermediação cultural e social reconhecem que, com a arte, a mensagem “passa melhor”.
Dentre o universo da arte, as artes visuais adquiriram desde cedo um estatuto estético e cognitivo cimeiro, precisamente porque se descobriu que os sentidos e os dispositivos que elas activam permitem-nos chegar mais longe, alcançar uma realidade mais ampla, conhecer melhor e mais profundamente a realidade envolvente. Não é por acaso que ao longo da nossa tradição cultural sempre se valorizou a dimensão visual.
Entretanto, as artes mudaram muito, bem como o homem e a sua imagem, a cultura, os valores e os métodos de ensino. As artes visuais conquistaram novos suportes, adquiriram novas linguagens, transformaram-se internamente num processo de fusão donde têm surgido novas e extraordinárias formas de expressão.
Neste Curso aprofundar-se-ão estas mutações que continuamente nos lançam desafios e interrogações que é urgente reequacionar, quer a nível dos conceitos estéticos, culturais, filosóficos, como a nível das práticas artísticas, pedagógicas, educacionais e de natureza didáctica.
O Curso de Aprofundamento em Artes Visuais e Criatividade Pedagógica, através dos cinco seminários que o constituem, propõe-se fornecer um conspecto das principais metamorfoses que hoje afectam a presença da arte no sistema educativo, quer na posição em que a arte é objecto directo do ensino, quer na posição em que o ensino e a educação são intencionalmente visados pela arte. Pretende-se aprofundar as diversas pontas deste nó que ata o ensino artístico, a educação pela arte e a formação estética, sob o pano de fundo da seguinte inquietação: em que condições promoverão, hoje, as artes (visuais) a criatividade na escola e na vida?
“Vós (artistas) tendes, graças ao vosso talento, a possibilidade de falar ao coração da humanidade, de tocar a sensibilidade individual e colectiva, de suscitar sonhos e esperanças, de ampliar os horizontes do conhecimento e do empenho humano.” (Bento XVI, “Encontro com os artistas”, Capela Sistina, 21 de Novembro de 2009).

Nota de Apresentação do Ciclo de Seminários dedicados ao tema "Artes visuais e criatividade pedagógica"anteriormente publicada no endereço: http://www.eacfacfil.net/?p=1602