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quinta-feira, 2 de abril de 2020

Pensamento oriental


A revista Religare - periódico semestral do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da Universidade Federal da Paraíba - publica regularmente trabalhos de investigação sobre as grandes correntes do "Pensamento oriental", expressão da nossa preferência por nela integrar os diversos componentes das ancestrais sabedorias: elementos filosóficos, religiosos, culturais, espirituais. 
São trabalhos de interesse para o conhecimento, entre outras, das correntes do Hinduísmo, Budismo, Jainismo, Confucionismo, Taoismo.
Destacamos aqui dois fascículos, com a indicação completa dos respetivos índices, estando os seus artigos todos eles disponíveis em livre acesso. 
Aos interessados nestes assuntos, recomendamos a pesquisa em todos os outros fascículos da mesma revista, já que se encontram muitos outros contributos ao longo dos 32 fascículos que a revista contabiliza até à presente data.


VOLUME 12, n. 2 (2015): dossiê “Religiões, Filosofia e Espiritualidades Chinesas”

> Editorial - Matheus da Cruz e Zica: 226-229
> A arte, a magia e os deuses: trilhar as tradições de Macau - Mônica Simas: 230-243
> Rota da seda: trânsitos culturais e sagrados nos caminhos da China - Maria Lucia Abaurre Gnerre: 244-259
> Do karatê ao kung fu: cinema, religião, elementos marciais e religiosos japoneses e chineses e sua recepção no Brasil (1984-2010) - José Otávio Aguiar: 260-277
> Um TAO Descartes - Matheus da Cruz e Zica: 278-294
> O pensamento chinês: filosofia ou religião? - Joaquim Antônio Bernardes Carneiro Monteiro: 295-314
> TRADUÇÃO: A Sociedade Taoísta do Brasil e a globalização do Daoismo da Ortodoxia Unitária - Daniel M. Murray, James Miller: 315-343 (Tradução de Matheus Costa e Fábio Stern)
> ARTIGO LIVRE: Concepções e ritos de morte na Jurema paraíbana - Dilaine Soares Sampaio: 344-369
> RESENHA - GNERRE, Maria Lúcia Abaurre; POSSEBON, Fabrício (orgs.). China Antiga: aproximações religiosas, Matheus Oliva da Costa: 370-377

VOLUME 9, n. 2 (2012): dossiê "Religiões Orientais"

> Editorial - Maria Lucia Abaurre Gnerre, 113-117
> O PROBLEMA DO MAL E A TEODICÉIA OCIDENTAL. O QUE O TEÍSMO E NÃO-TEÍSMO INDIANOS TEM A DIZER SOBRE ESTE DESAFIO? - Puroshotama Bilimoria, 118-140
> DHARMAKAYA & NIRVANAKAYA: CORPOS DE ÊXTASE NA POESIA DE AUGUSTO DOS ANJOS - Sandra S F Erikson, 141-152
> CECÍLIA MEIRELES E A ÍNDIA: DAS PROVISÓRIAS ARQUITETURAS AO “ÊXTASE LONGO DE ILUSÃO NENHUMA” - Gisele Oliveira, 153-161
> TRADUÇÕES DA LITERATURA FICCIONAL INDIANA PARA O PORTUGUÊS: UMA QUESTÃO CULTURAL - Gisele Lemos, 162-166
> RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E MARCIALIDADE NA FORMAÇÃO HISTÓRICA DO KUNG FU: ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE UM CAMPO DE PESQUISAS RECENTE NO BRASIL - Matheus da Cruz Zica, 167-176
> YOGA PARA CRIANÇAS – UMA PRÁTICA EM CONSTRUÇÃO -Maria Claurenia de Andrade Silveira, 177-185
> O CONCEITO DE FELICIDADE NA BHAGAVAD-GITA: SIMILARIDADES E CONTRASTES COM O PARADIGMA HEGEMÔNICO NO OCIDENTE - Thiago Pelucio Moreira, 186-194
> MORTE NO HINDUÍSMO: TRANSMIGRAÇÃO E LIBERTAÇÃO - Lucio Valera, 195-204
> POSTULADOS DO VEDANTA: CONTRIBUIÇÕES DE VIVEKANANDA PARA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL A PARTIR DO REPOSICIONAMENTO DO SUJEITO DIANTE DE SUA EXISTÊNCIA, SIGNIFICADO E VALORES - Livia Borges Lopes, 205-218
> A REPRESENTAÇÃO DA MULHER E DA NATUREZA NO BUDISMO MEDIEVAL - Zelia Bora, 219-228
> CRÍTICA BUDISTA DE NIETZSCHE - Derley Menezes Alves, 229-243
> A NATUREZA DA VACUIDADE A LEITURA DO PRAJNĀ PĀRAMITĀ A PARTIR DE O ORNAMENTO DA CLARA REALIZAÇÃO DO BUDA - Deyve Redyson, 244-251

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Oriente e Ocidente: complementaridades religiosas em prol do ser humano

Diário do Minho, 04/12/2019, p. 16
[Texto publicado no Jornal Diário do Minho, 04.12.2019]


Passados uns bons pares de anos, surgiu-me recentemente a oportunidade de regressar à lecionação de uma das matérias da minha predileção: o pensamento oriental, na sua mescla mais genuína, feita de filosofia, religião e espiritualidade.
Nesta espécie de «regresso às origens» tive a graça de encontrar turmas motivadas pela matéria, a que não será estranha esta atração pelo Oriente da sabedoria, da meditação e do Yoga, dos Mestres iluminados, do relaxamento e da busca de cura para tanto sofrimento com que o estilo de vida ocidental nos tem esmagado…
Independentemente do assunto estar agora, segundo parece, muito na moda (sempre o considerei atual), o que é certo é que, grandes e sérios pensadores, ao longo da História, têm alertado para os riscos que emergem sempre que estas duas  metades do planeta se ignoram ou se hostilizam, em contraponto com os benefícios e vantagens provindos de uma visão holística e compreensiva das suas complementaridades, da unidade que lhes está subjacente.
Tem sido esta a linha hermenêutica que me tem guiado nos programas que tenho desenvolvido com as respetivas turmas. Partimos da ideia orientadora de que, mesmo quando se manifestam como tradições discordantes, pensamento oriental e pensamento ocidental contribuem, por isso mesmo e decisivamente, para uma visão mais completa do ser humano. Daí a importância de um conhecimento aprofundado das suas doutrinas matriciais, escolas, autores, e obras mais significativas.
A aceitação generalizada desta perspetiva interpretativa leva a que, hoje, não exista praticamente nenhuma área do conhecimento e da atividade humanas que não procure cruzar, mediante aprofundados estudos interculturais, as raízes e os legados da sabedoria oriental e da sabedoria ocidental (designação intencionalmente generalista), desde o âmbito da religião à economia, da estética à ciência, da arte à gestão, da literatura à política, etc.
Como demonstração dos benefícios deste pragmático estudo, que designo de “regime de complementaridades”, aqui deixo dois ou três exemplos que considero significativos.
O primeiro caso: um jovem estudante da Faculdade de Teologia de Braga, membro de uma Ordem Religiosa, que no ano transato integrava uma das turmas, entusiasmou-se pelo pensamento do filósofo chinês Mêncius, cuja Obra foi traduzida pelo eminente sinólogo Jesuíta, Pe. Joaquim Guerra. Este jovem encontrou nestes textos matérias, pontos de vista e orientações que lhe permitem estabelecer amplas pontes com o Cristianismo. 
O segundo caso, passou-se recentemente, no contexto da prestação de Provas de Mestrado em Estudos Interculturais Português/Chinês, de uma jovem chinesa, na Universidade do Minho. A jovem acabava de concluir brilhantemente a defesa da sua excelente dissertação, tendo comparado o catolicismo e o protestantismo na China e em Portugal. Já em descontraído diálogo, finalizadas as formalidades académicas, perguntei-lhe em que tipo de ocupação laboral pensava ela aplicar os conhecimentos da sua tese. No meu imaginário, presumia que o leque não fosse muito além de um hipotético trabalho na área do ensino, ou numa Igreja… Pois, qual o espanto quando me responde que não, o que ela almeja é mesmo integrar, como tradutora, os quadros de uma empresa, no sector industrial, ou no comércio… Mas, e porquê esta aquisição de bagagem de cultura religiosa? Não seria muito mais adequado ter investigado doutrinas da economia, da gestão, do direito…? O mistério esclarece-se rapidamente, na graciosidade da sua pronta resposta: «sem conhecermos a estrutura religiosa dos povos, não entendemos nada do ser humano!» Eis um axioma universal, tanto lá como cá – tem toda a razão!
Finalmente, para reforço deste “regime de complementaridades”, indico duas significativas referências bibliográficas atuais.
A primeira publicação tem como autor Stephan Rothlin S.I. e intitula-se “La dottrina sociale della Chiesa in Cina, Un riferimento per l’etica degli affari” (La Civiltà Cattolica, 2019, I, nº 4046, pp. 129-140). Neste artigo é revisitado o documento A vocação do gestor - publicado pelo então Pontifício Conselho da Justiça e Paz em 2011 e recentemente traduzido para chinês - para evidenciar o papel da Doutrina Social da Igreja na construção de um quadro de referência para a ética dos negócios internacionais. Mostra, também, como esta Doutrina se pode ligar à filosofia moral confuciana, em modalidades que asseguram especificamente um melhoramento da ética comercial internacional na China.
A segunda publicação é um longo estudo de quase 400 páginas do autor Zhang Yunliang, intitulado “Lao Tzu and the Bible. Valutazione critica dell’opera di Yuan Zhiming” (Rivista Sacra Doctrina, vol. 62, fasc. 2, 2017). Como o título indica, trata-se de um profundo estudo comparado das religiões taoista e cristã, centrado na obra de Yuan Zhiming. Para além de outros aspetos, é um trabalho de grande valor para a compreensão da evangelização e da inculturação na China.
A quem interessar, estas duas publicações periódicas podem ser consultadas na Biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP. [Carlos Bizarro Morais]
Alunos do Seminário Temático em "Espiritualidades Orientais" - Faculdade de Teologia / Braga

terça-feira, 13 de junho de 2017

Palestra sobre o Budismo na Escola Secundária Martins Sarmento - Guimarães

No passado dia 09 de maio tive a grata possibilidade de proferir uma palestra na Escola Secundária Martins Sarmento, em Guimarães, sobre a temática do Budismo, a que assistiram várias turmas de alunos e também um grupo de docentes. A palestra tinha por título "O budismo: uma
espiritualidade entre Filosofia e Religião". A temática foi apresentada em dois momentos principais. O primeiro, centrado na identificação dos rasgos mais significativos do percurso existencial de Buda (Siddharta Gautama). O segundo momento foi focalizado no aprofundamento da espiritualidade budista, refletindo até que ponto os seus aspetos mais característicos a aproximam da atitude filosófica e da atitude religiosa.
À semelhança do que aconteceu noutras Escolas, também aqui notei uma adesão muito significativa a estas temáticas relacionadas com as culturas orientais e com o budismo em particular.
Foi muito gratificante ter reencontrado colegas, antigos alunos da então Faculdade de Filosofia, com os quais não contactava há muito tempo.
Esta palestra só se realizou devido as diligências generosamente realizadas pelo Dr. Eurico Silva, de quem partiu o convite na qualidade de Coordenador do Departamento de Filosofia da referida Escola. Por isso, agradeço-lhe penhoradamente todo o seu esforço, que culminou nesta iniciativa; na sua pessoa, envio também um agradecimento à Direção da Escola e a todos os Colegas e Alunos que estiveram presentes na sessão.
Carlos Morais

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

“O pensamento Oriental. Perfil filosófico de Buda e do budismo” - conferência na ESCA - Braga

Foi muito gratificante a oportunidade de proferiu a conferência intitulada “O pensamento Oriental. Perfil filosófico de Buda e do budismo”, na Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA-Braga), no âmbito das comemorações do dia do Agrupamento e do projeto Fascínio do Oriente. A conferência teve lugar no Auditório da ESCA, no dia 26 de janeiro de 2017.

A realização desta conferência constituiu uma excelente oportunidade de partilha de conhecimentos e de discussão com os alunos desta Escola, sobre um tema de manifesto interesse: as raízes filosóficas do budismo.

Neste sentido, foi muito estimulante verificar a curiosidade de um Auditório quase totalmente preenchido pelos jovens estudantes, movidos pela curiosidade da diferença que vem do Oriente. Siddharta Gautama, Hinduísmo, Vedas, Upanishad, Karma, Reencarnação, Atmán, Brahmán, Iluminação, Nirvana, Espiritualidade, Conhecimento profundo («vipassana»), Meditação, Superação do sofrimento, Salvação, Óctuplo Caminho, foram alguns dos conceitos-guia numa reflexão sobre o mistério da existência.

As questões levantadas pelos alunos no final da conferência constituem a garantia de que sementes de pensamento filosófico terão ficado a germinar nas suas mentes.

Um agradecimento muito especial às/aos Colegas docentes presentes na sessão, particularmente à Drª Maria Beatriz Macedo que, como Coordenadora do departamento de ciências sociais e humanas, desencadeou esta iniciativa e à Drª Ana Margarida Dias que, na qualidade de Professora Bibliotecária, coordena o interessante projeto “Fascínio do Oriente” e na qual contextualizou a presente iniciativa.

> Fotos da Conferência: no Auditório da ESCA: